Cuiabá, 16 de Abril de 2026

Guerra com Irã eleva petróleo e pressiona inflação e contas públicas

16/04/2026 17:39:09

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã já provoca efeitos relevantes sobre a economia global e deve gerar impactos fiscais no Brasil, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, nesta quinta-feira (16/4).

 

Há mais de seis semanas, a escalada de tensões no Oriente Médio tem afetado uma região ampliada que inclui países como Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Iraque, Kuwait e Líbano.

 

Um dos principais reflexos imediatos foi a disparada no preço do petróleo, com o barril do tipo brent saltando de US$ 71 para mais de US$ 100.

 

O movimento acendeu alertas sobre uma possível nova rodada de pressão inflacionária global, além de riscos de desaceleração econômica, retração do comércio internacional e até de uma crise energética, a depender da extensão dos danos à produção na região.

 

Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil não deve passar ileso. A IFI aponta que o país pode sofrer impactos sobre variáveis como inflação, juros, crescimento econômico e comércio exterior.

 

O relatório destaca que o governo adotou medidas para amenizar os efeitos da alta dos combustíveis, como subsídios ao diesel e ao gás de cozinha (GLP), além de linhas de crédito para companhias aéreas, desoneração de tributos sobre combustíveis e postergação de tarifas do setor aéreo. Essas ações, no entanto, aumentam despesas e geram renúncia de receitas.

 

Por outro lado, a alta do petróleo também traz efeitos positivos para as contas públicas. Entre eles, estão o aumento na arrecadação de royalties, maiores dividendos da Petrobras e ganhos com a venda de petróleo pela União. A inflação mais elevada também tende a elevar a arrecadação tributária, beneficiando União, estados e municípios.

 

Na tentativa de equilibrar as contas, o governo chegou a propor medidas compensatórias, como a taxação das exportações de petróleo e diesel, suspensa pela Justiça, e o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros.

 

Apesar disso, a IFI alerta para efeitos fiscais mais duradouros. A aceleração da inflação deve pressionar o reajuste do salário mínimo a partir de 2027, o que impacta diretamente despesas obrigatórias, como aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial.

 

Além disso, o cenário pode desacelerar a queda da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, elevando gastos com juros da dívida pública.

 

 

 

Foto: Divulgação

Por: Gabriela Pereira / Metrópoles

 

 

 

 

 

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