Acordo comercial amplia desafios ao agro
25/02/2026 14:48:00
O acordo firmado entre Mercosul e União Europeia é apontado como um dos marcos mais amplos das relações comerciais contemporâneas, tanto pela abrangência geográfica quanto pelo volume econômico envolvido. A avaliação consta em artigo de Décio Luiz Gazzoni e Antônio Márcio Buainain, integrantes do Conselho Científico Agro Sustentável, que analisam os desdobramentos do tratado para o setor agropecuário e para a formação profissional em Agronomia.
Sob a ótica europeia, o acordo amplia oportunidades para produtos manufaturados e itens agrícolas de maior valor agregado. Já para os países do Mercosul, a expectativa recai sobre a expansão do mercado para produtos agropecuários. O texto ressalta, porém, que o entendimento não estabelece uma zona de livre comércio irrestrita. Após décadas de negociação, persistem resistências de agricultores europeus, especialmente de França, Irlanda e Polônia, mesmo com a inclusão de salvaguardas destinadas a proteger esses produtores.
As restrições apresentadas concentram-se em quatro eixos: padrões ambientais e sanitários, concorrência e custos de produção, impactos ambientais e questões de soberania e segurança alimentar. Diante desse cenário, os autores defendem que os países do Mercosul precisarão cumprir rigorosamente os dispositivos pactuados e dar atenção especial às salvaguardas, o que exige preparação técnica ao longo de toda a cadeia produtiva.
A discussão avança para o papel do engenheiro agrônomo nesse novo contexto. A Academia Brasileira de Ciência Agronômica promoveu webinário para debater formação, capacitação e habilidades necessárias ao profissional. Entre os pontos levantados estão a necessidade de incorporar temas como regulação e comércio internacional, gestão ambiental, certificação, rastreabilidade, competências socioemocionais e domínio de métricas de sustentabilidade. O objetivo é estimular reflexão sobre como a categoria pode liderar transformações e aproveitar oportunidades abertas pelo acordo, atendendo às exigências de mercados cada vez mais regulados e orientados por padrões de conformidade.
Foto: Pixabay
Por: Leonardo Gottems