Aliado de Maduro, procurador-geral da Venezuela renuncia
25/02/2026 19:22:00
O procuradorgeral da Venezuela, Tarek William Saab, renunciou ao cargo nesta quartafeira (25/2), em um movimento que representa a maior alteração no alto escalão do governo desde que Delcy Rodríguez assumiu a liderança do país após a captura do líder chavista, Nicolás Maduro.
A renúncia foi anunciada durante sessão da Assembleia Nacional, dominada pela coalizão ligada à presidente interina, que agora deverá nomear um substituto interino enquanto os parlamentares escolhem um titular permanente.
Saab era uma das figuras mais poderosas do aparato judicial venezuelano e ganhou notoriedade nos últimos anos por promover prisões de opositores políticos e liderar ações duras contra críticos do chavismo, o que o tornava símbolo da repressão legal do governo anterior.
Momento de transição
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A mudança se insere em meio a um contexto de transição delicada no país sulamericano, após uma série de eventos que abalaram a estrutura política da Venezuela.
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No início de janeiro, forças dos Estados Unidos capturaram Maduro e sua esposa, a exprimeiradama Cilia Flores, em uma operação que remodelou o cenário interno e internacional venezuelano.
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Desde então, Delcy Rodríguez foi apontada como presidente interina, dando início a reformas e ajustes no governo.
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A renúncia de Saab ocorre no mesmo momento em que o Legislativo aprovou uma lei de anistia que tem resultado nas primeiras liberações de presos políticos, em um processo que o governo afirma estar voltado para a reconciliação nacional e a recuperação de relações com parceiros internacionais.
Tarek William Saab, ocupava o cargo desde 2017. Formado em Direito, ex-deputado e defensor público, Saab também é poeta e autor de diversos livros.
Ele se destacou por perseguir opositores políticos e assinar acusações contra críticos do regime, além de manter forte presença nas redes sociais e em publicações culturais e pessoais.
Filho de imigrantes libaneses, iniciou sua trajetória política ainda adolescente, envolvendo-se com movimentos de esquerda que influenciaram Chávez e Maduro.
Foto: Jesus Vargas/Getty Images
Por: Manuela de Moura / Metrópoles