Putin diz que plano de Trump para Groenlândia não é “extravagante”
19/01/2026 17:53:00
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (19/1) que o plano de Donald Trump de anexar a Groenlândia não é uma ideia extravagante, mas parte de uma estratégia norte-americana antiga e recorrente.
Segundo Putin, Washington há mais de um século demonstra interesse no território dinamarquês, hoje considerado peça-chave na disputa geopolítica pelo Ártico.
“É um grande erro pensar que se trata de uma conversa extravagante da nova administração americana. Nada disso”, disse Putin.
Para o líder russo, a iniciativa de Trump se insere em uma tradição histórica da política externa dos Estados Unidos.
Putin também citou a compra do Alasca, em 1867, inicialmente ridicularizada como “uma geladeira” ou “um jardim para ursos polares”.
“Hoje, essa aquisição é vista de forma bem diferente nos próprios Estados Unidos. Não há nada de surpreendente no que está acontecendo agora”, afirmou.
Interesse histórico e disputa no Ártico
O presidente russo lembrou ainda que, em 1910, chegou a ser negociado um acordo trilateral entre Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca que previa a cessão da Groenlândia a Washington — iniciativa que acabou fracassando.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA instalaram bases militares na ilha para evitar a ocupação pela Alemanha nazista e, após o conflito, voltaram a oferecer a compra do território à Dinamarca.
“Estamos falando de planos americanos sérios para a Groenlândia, com raízes históricas profundas”, disse Putin, acrescentando que os Estados Unidos continuarão promovendo interesses geoestratégicos, político-militares e econômicos no Ártico.
Apoio russo e impacto na Otan
A leitura feita no Kremlin é que o plano de Trump traz vantagens estratégicas para Moscou.
Autoridades russas avaliam que a iniciativa amplia as fissuras entre Estados Unidos e Europa e enfraquece a Otan, um objetivo antigo da política externa russa.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Trump “entraria para a história” caso assumisse o controle da Groenlândia.
Já o enviado especial de Putin, Kirill Dmitriev, comemorou o que chamou de “colapso da união transatlântica”, enquanto o ex-presidente russo Dmitry Medvedev ironizou o impacto econômico da proposta sobre a Europa.
O discurso de Trump sobre a Groenlândia também reforça argumentos usados por Moscou para justificar a invasão da Ucrânia, ao invocar interesses históricos e estratégicos para a expansão territorial.
Foto: Kremlin
Por: Manuela de Moura / Metrópoles