Cuiabá, 05 de Agosto de 2026

Itamaraty não foi comunicado sobre revogação de visto de embaixadora

04/08/2026 19:14:00

O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, sem comunicar previamente o Itamaraty. A informação foi confirmada pelo Metrópoles.
 
 
A decisãofoi anunciada nesta terça-feira (4/8) pelo Departamento de Estado e acrescenta mais um capítulo à escalada de tensão entre Brasília e Washington.
 
 
Segundo o Departamento de Estado, a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata dos Estados Unidos.
 
 
Washington afirmou que o documento poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para a nomeação do novo embaixador norte-americano em Brasília, Daniel Perez.
 
 
O nome de Perez foi indicado pelo presidente Donald Trump em junho e recebeu, há cerca de duas semanas, o aval de uma comissão do Senado dos Estados Unidos. A nomeação, porém, ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa.
 
 
EUA cobra aval para novo embaixador
Pela tradição diplomática, o país que receberá um embaixador precisa autorizar previamente a indicação, em um procedimento conhecido como agrément. Segundo o governo norte-americano, o Brasil ainda não concedeu a autorização para Perez.
 
 
Os Estados Unidos alegam que autoridades brasileiras indicaram que o aval para o novo embaixador somente deverá ser concedido após as eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro.
 
 
A falta de autorização é apresentada por Washington como justificativa para a retirada do visto de Viotti. O governo norte-americano, no entanto, não anunciou a expulsão da embaixadora, que continua podendo permanecer em território americano.
 
 
Vistos de diplomatas dos EUA foram negados
 

 
Relação entre Brasil e EUA se deteriora
A revogação do visto de Viotti ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre os dois países. Nos últimos meses, o governo Trump adotou medidas comerciais contra o Brasil e elevou a pressão política sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 
 
As eleições presidenciais de 2026 também se tornaram um dos principais pontos de tensão entre os governos. A administração Trump mantém proximidade com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, principalmente em relação ao senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), demonstrando interesse em questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro.
 
 
O governo Lula, por sua vez, tem acusado Washington de pressionar instituições brasileiras e interferir em assuntos internos do país.
 
 
 
Foto: Reprodução/Ana de Oliveira/AIG-MRE
Por: Manuela de Moura, Carinne Souza / Metrópoles
 
 
 
 
 
 

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