Queda nos preços do arroz reflete excesso de oferta
20/03/2026 18:03:00
Os preços do arroz vêm registrando queda nas últimas semanas em meio a um cenário de oferta elevada e demanda enfraquecida em diversos mercados. O ambiente global também tem sido marcado por incertezas geopolíticas, que aumentam a volatilidade e afetam o ritmo das negociações internacionais.
De acordo com a Associação de Produtores de Arroz dos Estados Unidos, o conflito no Oriente Médio tem ampliado a insegurança no comércio, com relatos de embarques sendo retidos e impactos diretos sobre a demanda. A entidade destaca que o aumento dos estoques globais intensifica a pressão sobre os preços, tornando o excesso de oferta ainda mais relevante diante de qualquer retração no consumo.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que, desde fevereiro, as cotações de exportação recuaram entre os principais fornecedores globais, com exceção do Uruguai. Nos Estados Unidos, os preços caíram para 534 dólares por tonelada, refletindo vendas fracas. Na Índia, Vietnã, Paquistão e Tailândia, os recuos também foram atribuídos à menor demanda e, em alguns casos, ao avanço das colheitas ou à desvalorização cambial. O Uruguai apresentou movimento oposto, com leve alta devido à oferta restrita antes da nova safra.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura aponta que, em fevereiro, os preços globais tiveram leve alta mensal, mas permanecem abaixo do registrado há um ano. O comportamento foi heterogêneo entre os diferentes tipos de arroz, com valorização nos segmentos japonês e aromático e estabilidade ou queda em outros, influenciados por fatores como demanda regional, disponibilidade e variações cambiais.
Nas Américas, o início da colheita no Mercosul trouxe estabilidade em alguns mercados e recuos em outros, como no Brasil e nos Estados Unidos. A entidade também observa que estoques elevados podem levar à redução da área plantada na próxima safra norte-americana. Na Europa, representantes do setor alertam para uma crise crescente, impulsionada pelo aumento das importações, custos mais altos e exigências regulatórias.
Foto: coniferconifer
Por: Leonardo Gottems / Agrolink