Cuiabá, 05 de Fevereiro de 2026

Integração pecuária-floresta fortalece produção rural sustentável no RS

04/02/2026 15:08:00

Na região Central do Rio Grande do Sul, árvores e animais dividem o mesmo espaço em um sistema que garante equilíbrio e vantagens para o produtor e para a natureza. O silvipastoril, que integra pecuária e floresta, melhora o conforto dos rebanhos, protege o solo e auxilia na manutenção da qualidade da pastagem durante o ano todo. Após assistir a uma reportagem de televisão, Derli Monteiro decidiu implantar o sistema em São Francisco de Assis. A iniciativa gerou bons resultados, e hoje o produtor rural mantém piquetes de 25x200 metros em uma área de 13 hectares, onde cerca de 60 animais fazem o pastejo rotativo.



"O sistema silvipastoril é bastante eficiente e resiliente, e é fácil de se manejar. O seu Derli, por exemplo, consegue ter uma lotação alta de animais na área, com retorno sempre garantido", comenta o extensionista da Emater/RS-Ascar, Mauro Bruno.



Os benefícios da integração podem ser observados no manejo do gado de leite, de corte e até de ovinos. O sombreamento reduz o estresse térmico dos animais no verão, já no inverno a floresta ajuda a proteger contra os efeitos da geada. A cobertura vegetal também diminui a suscetibilidade à erosão, auxilia na incorporação de matéria orgânica no solo e melhora a infiltração da água. E o produtor vê vantagem financeira com a possibilidade de diversificação da renda a partir da venda de madeira.



Outro produtor que decidiu apostar na integração pecuária-floresta é Laurindo Beling, de Agudo. Depois de décadas cultivando eucalipto, ele implantou uma área de dois hectares de silvipastoril por incentivo da Emater/RS-Ascar. O resultado deu tão certo que o trabalho foi premiado na Feira da Floresta, em 2017, tornando-se uma referência na região.



"Eu achei que não podia fazer mais nada, e veio a minha premiação. Daí de tanto que eu gostei, falei com a Emater e marcamos mais dois hectares. Agora eu não paro mais", celebra o produtor.



Segundo a extensionista da Emater/RS-Ascar Luana Tironi, o trabalho desenvolvido por Beling é referência no município. "A gente fica muito contente e incentiva outros produtores a aderirem, porque o sistema dá um resultado muito produtivo", avalia.



MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS DOS GASES DE EFEITO ESTUFA

Além de contribuir para o conforto térmico dos animais e a manutenção da produtividade da pecuária, o sistema silvipastoril garante ganhos ambientais, dentre os quais está o auxílio no sequestro de carbono, reduzindo os impactos dos gases de efeito estufa.



"A implantação de árvores é uma das formas mais eficientes de se sequestrar carbono para neutralizar os efeitos dos gases de efeito estufa. O sistema também possibilita incorporar matéria orgânica no solo, o que resulta ainda na melhoria da infiltração de água no solo", afirma o extensionista Gilmar Deponti.



Considerando as características da propriedade da família de Laurindo Beling, como a quantidade de árvores e a velocidade com que elas crescem, Deponti calcula que um hectare de floresta consegue compensar a emissão de metano liberado por cerca de 10 bovinos. Na prática, isso significa que aproximadamente 15 árvores são suficientes para neutralizar as emissões de um único animal.



"Quando analisamos esses números, percebemos o quanto é fácil a agropecuária ser positiva em termos de acumulação de carbono, e não em geração de gases de efeito estufa. Basicamente, trabalhando com o plantio de árvores", enfatiza.



A integração entre lavoura, pecuária e floresta é inclusive uma das ações que compõem o projeto ABC+, da Emater/RS-Ascar. A iniciativa interna da Instituição está ligada ao Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+ RS), realizado no Estado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).



"No ABC+ trabalhamos algumas práticas de produção sustentável que visam melhorar a produtividade, melhorar a eficiência das atividades e, como consequência, melhorar o balanço da emissão de gases de efeito estufa", explica o coordenador do projeto na Emater/RS-Ascar, Elder Dal Prá.



ESTUDO AVALIA BENEFÍCIOS AMBIENTAIS DO SISTEMA

A prática é também objeto de pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com a Emater-RS/Ascar e outras instituições. O estudo envolve professores e estudantes de graduação e contará com coletas em Agudo, São Francisco de Assis, Dilermando de Aguiar e Cacequi, incluindo as propriedades de Monteiro e Beling.



O docente da UFSM e coordenador da pesquisa, Jorge Farias, ressalta que dentre as soluções baseadas na natureza, o plantio de florestas é a melhor alternativa para retirar carbono da atmosfera e mitigar os efeitos do aquecimento global. "Nosso estudo, basicamente, está voltado para isso, mostrar que o produtor rural pode melhorar a sua produtividade, o conforto dos animais, melhorar a sua renda e contribuir com a sociedade global a partir do plantio de florestas", reforça.



De acordo com o professor, a pesquisa analisa diferentes aspectos, que vão desde o crescimento das árvores até o estudo sobre quanto o plantio continuado de florestas está fixando carbono no solo a partir da decomposição de matéria orgânica.



O extensionista Gilmar Deponti completa destacando a importância de pesquisas como essa para o desenvolvimento de soluções sustentáveis na agricultura. "Quanto mais a gente conhece o assunto, mais a gente percebe o quanto é fascinante trabalhar com esses números, e o quanto isso pode ajudar até mesmo a esclarecer para a sociedade que o agronegócio é viável, inclusive na questão dos gases de efeito estufa, com um balanço muito favorável", finaliza.

 

 

 

 

Foto: Joaquim Bezerra

Por: Emater/RS / AGROLINK

 

 

 

 

 

 

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