Como evitar surtos de mancha-aureolada no café
20/07/2026 18:24:00
O crestamento-bacteriano do cafeeiro, também conhecido como mancha-aureolada, segue entre as doenças que mais exigem atenção dos cafeicultores, especialmente em períodos de maior umidade, ventos e oscilações de temperatura. O problema é causado pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae e pode atingir folhas, ramos e frutos, comprometendo a produtividade quando não é manejado de forma preventiva.
Entre setembro de 2025 e julho de 2026, o risco de surtos tende a aumentar em várias regiões produtoras devido à combinação de chuvas irregulares, ventos e variações bruscas de temperatura. Nessas condições, o monitoramento frequente da lavoura torna-se fundamental para detectar os primeiros sintomas e evitar a disseminação da bactéria entre plantas e talhões.
A doença se manifesta inicialmente em folhas jovens, com pequenas manchas encharcadas de coloração escura cercadas por um halo amarelado. Com a evolução do ataque, as lesões tornam-se necróticas, ocorre queda de folhas e, em casos mais severos, secamento de ponteiros e morte regressiva de ramos produtivos. Em frutos, podem surgir manchas escuras e até abortamento de chumbinhos em ramos mais afetados.
Por se tratar de uma doença bacteriana, o patógeno não forma estruturas visíveis como muitos fungos e pode sobreviver em restos vegetais, plantas doentes e superfícies de equipamentos. A disseminação ocorre principalmente por respingos de chuva, vento, água de irrigação e contato mecânico durante operações de manejo.
As fases de brotação, expansão de folhas, floradas e frutificação são consideradas mais sensíveis. O risco aumenta quando chuvas frequentes se alternam com períodos nublados e úmidos, quando há ventos fortes que provocam ferimentos nas plantas e quando podas são realizadas em épocas chuvosas sem os devidos cuidados sanitários. O uso intensivo de irrigação por aspersão em períodos de alta umidade também pode favorecer a doença.
O diagnóstico correto é essencial para diferenciar o crestamento-bacteriano de problemas como ferrugem e cercosporiose. O halo amarelado ao redor das lesões, o aspecto encharcado inicial e a concentração dos sintomas em folhas e ramos jovens são características importantes para o reconhecimento em campo. Em situações de dúvida, a recomendação é encaminhar amostras para análise laboratorial.
Os impactos na lavoura vão além da desfolha. A redução da área foliar diminui a capacidade fotossintética das plantas, prejudica o enchimento dos grãos e pode aumentar a ocorrência de frutos chochos ou mal formados. Em lavouras jovens, o dano é ainda mais preocupante porque compromete a formação da estrutura produtiva do cafezal.
A decisão de manejo deve considerar o histórico da área, o estágio da lavoura, as condições climáticas recentes e a intensidade dos sintomas observados. Áreas que já apresentaram surtos anteriores, lavouras recém-podadas e plantas em formação exigem atenção redobrada e monitoramento mais intenso.
A principal estratégia para evitar surtos é o manejo integrado com foco em prevenção. O uso de mudas sadias e de origem confiável é considerado a primeira barreira contra a entrada da bactéria na propriedade. No viveiro, é importante evitar contato com áreas contaminadas, utilizar água de boa qualidade e descartar imediatamente mudas com sintomas suspeitos.
O manejo da poda e da ventilação do cafezal também tem papel central. Podas de recepa, esqueletamento e decote devem ser planejadas, sempre que possível, para períodos de menor umidade. Cortes limpos, ferramentas bem afiadas e higienização periódica entre talhões ajudam a reduzir a disseminação da bactéria.
A ventilação adequada do dossel diminui o tempo de molhamento das folhas, dificultando a infecção. Espaçamentos compatíveis com a cultivar, desbrota de excesso de perfilhos e manejo da copa contribuem para um microclima menos favorável à doença.
O manejo de resíduos vegetais merece atenção especial. Ramos muito afetados podem funcionar como fonte importante de inóculo e devem ser retirados da linha de cultivo e destinados a locais apropriados para decomposição ou outro manejo definido pela equipe técnica.
A nutrição equilibrada e o manejo adequado da irrigação também ajudam a reduzir a suscetibilidade das plantas. Solos bem corrigidos, adubação baseada em análise e irrigação que evite prolongar o molhamento foliar contribuem para manter o cafeeiro menos estressado.
Quando indicado pelo engenheiro agrônomo responsável, produtos registrados para a cultura podem ser utilizados como complemento ao manejo cultural. O uso deve seguir rigorosamente as recomendações de bula, o receituário agronômico e a legislação vigente.
Em resumo, a forma mais eficiente de reduzir o risco de surtos de crestamento-bacteriano na safra 2025/26 é impedir a entrada da bactéria por meio de mudas sadias, diminuir ferimentos e fontes de inóculo com podas bem planejadas e manejo de resíduos, e criar um ambiente menos favorável à doença com boa ventilação e irrigação ajustada. O monitoramento constante e as decisões tomadas com apoio técnico são fundamentais para preservar a produtividade e a longevidade do cafezal.
Foto: Sheila Flores
Por: Redação Agrolink