Cuiabá, 24 de Abril de 2026

Alta nos custos é puxada por fertilizantes e diesel

23/04/2026 12:23:00

O custo de produção da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso voltou a subir e já acende um alerta no campo. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponta aumento mensal de 6,98% no custeio, impulsionado principalmente pela alta dos insumos e do diesel.

 

Segundo dados do IMEA, o custeio da soja foi estimado em R$ 4.435,40 por hectare, refletindo um cenário de pressão nos principais componentes da produção.

 

O principal vilão continua sendo o grupo de fertilizantes e corretivos, que responde por 46,71% do custo total e registrou alta de 10,77% no comparativo mensal, alcançando R$ 2.071,87/ha — o segundo maior valor da série histórica.

 

Além disso, o avanço no preço do diesel também contribuiu diretamente para o aumento das despesas operacionais. Em Mato Grosso, o combustível saiu de R$ 6,35/l em fevereiro para R$ 7,21/l em março, elevando o custo das operações mecanizadas.

 

Cenário internacional agrava pressão sobre insumos.

 

O aumento dos custos está diretamente ligado ao cenário geopolítico. As tensões no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, influenciaram o mercado global de energia e fertilizantes. Esse movimento elevou os preços de nitrogenados e fosfatados, além de pressionar o petróleo — refletindo no diesel utilizado no campo.

 

Na prática, isso significa que o produtor brasileiro está mais exposto a fatores externos, o que aumenta a volatilidade dos custos de produção.

 

Enquanto os custos avançam, o preço da soja segue em movimento contrário no curto prazo. Em Mato Grosso, a cotação média semanal caiu 1,50%, para R$ 101,70 por saca, segundo o IMEA. Esse descompasso entre custo e preço preocupa o setor, pois pressiona a margem do produtor, especialmente em um cenário de relação de troca desfavorável.

 

Por outro lado, há sustentação em alguns segmentos, como o farelo de soja, que registrou alta de 2,16% na semana, impulsionado pela demanda externa.

 

No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma oferta total de 189,63 milhões de toneladas para a safra 2025/26, com produção recorde estimada em 179,15 milhões de toneladas. Apesar do aumento da produção, o esmagamento foi revisado para baixo, enquanto as exportações devem crescer, podendo atingir 115,40 milhões de toneladas.

 

 

 

Foto: Divulgação

Por: Aline Merladete / Agrolink 

 

 

 

 

 

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